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Jorja Smith: a miúda que servia cafés quando Drake descobriu a sua música

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Jorja Smith encheu o Palco Sagres, no primeiro dia do festival Nos Alive, numa noite de quase 30ºC e para um público jovem que nunca deixou a artista a cantar sozinha durante uma hora.

A voz que não desafina, as origens jamaicanas, o estilo moderno e urbano. Tudo junto não dá como não comparar com Rihanna ou Amy Winehouse – uma das suas maiores influências.

Começou na música aos oito anos, influenciada pelo pai também músico, e rodeada de reggae, soul e hip-hop. Mas terá sido a mãe quem lhe descobriu o talento, nas idas à igreja, quando soltava a voz nos cânticos. Jorja detestava fazê-lo.

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Subscrever A rapariga começou no piano e com 11 anos escreveu a primeira canção, mas tornou-se tudo mais sério quando aos 15 comprou um computador MacBook: com a ajuda do programa Garage Band, começou a gravar faixas e a fazer upload para o YouTube.

Depois de terminar o ensino obrigatório, Jorja trocou a sua Walsall, cidade de quase 70 mil habitantes, por Londres. Ali garantia um ordenado a trabalhar na Starbucks, para se poder dedicar a escrever, gravar e divulgar as suas músicas online, na plataforma SoundCloud. Uma dessas, “Where Did I Go”, uma gravação amadora que carregou em 2016, foi o caminho para chegar ao rapper canadiano Drake. Ou ao contrário.

A estrela mundial escreveu-lhe no Instagram, mostrando-se fã da música. Jorja conta, numa entrevista ao The Guardian, que o músico a convidou para um dueto, dando nova vida à “Get It Together”, de Black Coffee e Bucie. Smith não aceitou à primeira, com o argumento de que aquelas não eram as suas palavras. Mas terá mudado de ideias. Um ano depois, surge a sua colaboração com duas músicas no álbum “More Life” (2017) de Drake. Deu o salto mundial e seguiu-se o rumor de um romance entre os dois.

No mesmo ano, Drake apresentava-a num concerto em Toronto, descrevendo-a como sendo “uma das vozes mais incríveis e um dos seres-humanos mais incríveis que alguma vez conheci”. Nessa altura, Jorja ainda não tinha desistido de servir cafés da Starbucks.

Mas antes de Drake, no ano anterior a artista já dava que falar, com o single “Blue Lights” (2016) a chegar ao top 22 no Reino Unido e tendo estado nomeado para os prémios MOBO (Music of Black Origin), e depois com “On My Mind” (2017) que quase alcançou o top 10 britânico. Seguiu-se a colaboração com o rapper Kendrick Lamar, no single “I Am”, no seu álbum Black Panther (2018), assim como com o britânico Stormzy, em “Let me Down” (2018). Mas Jorja não quis continuar a ser conhecida pelos músicos com quem colaborou e a sua afirmação, de vez, chegou com o seu mais recente álbum “Lost & Found” (2018): alcançou o top 5 do Reino Unido, três Brit Awards e a nomeação de um Grammy nos Best New Artists.

Nas várias entrevistas que dá é sempre questionada a razão de continuar independente, sem estar agarrada a uma editora. Defende que não há melhor coisa do que estar a fazer o que mais gosta à sua maneira. Olhando uns anos para trás – não muitos, até porque o percurso é curto – o seu registo mantém-se praticamente igual, com um ritmo lento, clássico, com um timbre muito definido.

Na mesma entrevista ao jornal britânico, a cantora conta como se mantém humilde apesar da exposição mundial. Diz não olhar para as vendas, é o pai quem acompanha os tops. “Enquanto não me disserem que tenho dívidas e posso pagar uma renda e alimentar o meu cão, então estou bem. Não estou muito preocupada”.

Smith vai respondendo às “provocações” do jornalista, que a considera “famosa” e a questiona como vive com isso. Apesar de tudo e de onde já chegou, a «miúda» consegue sempre relativizar. “Famosa é a Rihanna. Eu não sou a Rihanna. Tenho imenso trabalho pela frente. O que quero é ter sucesso. E ser feliz”.

Já não trabalha na Starbucks.